terça-feira, 30 de outubro de 2018

Treva Encarnada

Já viajei por vários mundos
Distantes em suas culturas
Povos felizes por segundos
Tempos de guerras escuras

Sábios perderam suas almas para mim
Carnes brancas do genocida carmesim
Feiticeiras jovens violam sua castidade
Acordo sombrio em troca de fertilidade

Bacias de leite derramam nos ventres
As sementes dos futuros guerreiros
Sustentados nos colos das serventes
Educando discípulos de carpinteiros

Monarcas e republicanos covardes
De tempos vermelhos com alardes
Ofereceram preencher seus vazios
Porém alagaram corpos como rios

Com bombas e balas tiradas do povo
Venenos e mentiras jogadas ao vento
A dança da morte no castelo do novo
Máscaras se quebram no julgamento

Divida o universo em castas distintas
Pintando o quadro com muitas tintas
Baús de ouro guardam meu tesouro
Atrás do massacre do aluno calouro

quinta-feira, 26 de julho de 2018

Céu Laranja

Me estranha como a vida é estranha
A árvore dos amigos floresce jovem
Na estrada a tua paz me acompanha
Os nossos sonhos voam mais além

Sinto gratidão por caminhar ao teu lado
Encontro no silêncio meu anjo animado
Tantas palavras em um gesto carinhoso
Ditas lentamente com teu beijo gostoso

Desde que te conheci meu espírito canta
As letras que só o coração escuta atento
Namorando abraçados debaixo da manta
Inspirados fazemos da fé nosso alimento

Energias positivas trocadas em um olhar
Levantamos todos os dias sem reclamar
Amar é olhar juntos na mesma direção
Cultivamos as virtudes da nossa união

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Paranoia

Chove muito dentro do meu mundo
Tempestade, fria como a nevasca
Escura como os desejos do imundo
Parede de peles macias descasca

Torre de farpas no metrô infernal
Corpos reanimados pelos chefes
Mulher louca do cogumelo astral
Vendedor de armas mequetrefes

Armaduras e roupas improvisadas
Diagramas e adesivos reciclados
Raivosos com suas vidas ceifadas
Espalham o sangue dos violados

Robôs manchados de genocídio
Amedrontam os jogadores vivos
Cada briga é mais um homicídio
Todos têm os mesmos motivos

Subir até o topo pela recompensa
Enquanto a cidade treme de medo
Leio um livro, minha mente pensa
Felizes os que acordam bem cedo

Meu dia sem você é monocromático
Quando estou contigo sinto as cores
Saio da rotina de ser tão sistemático
Confronto minhas fraquezas e dores

Horizonte

Você me ensinou a me amar
A viver em paz no presente
Pensar antes de demonstrar
Sentimento tão consciente

Manter o equilíbrio ainda cedo
Caminhar nas ruas sem medo
Objetivos de vida bem definidos
Admirar espíritos amadurecidos

Nesta travessia de aprendizado
Levamos apenas as experiências
Deixamos as marcas do legado
Conquistando as independências

Não há descanso para os madrugas
Temos que lidar com sanguessugas
Profissionais que são mal formados
Que Deus abençoe os atormentados

Pessoas serão pessoas, imperfeição
O que nos faz únicos neste planeta
Erramos às vezes, parte da evolução
Tenhamos paz ao girar a maçaneta

Da porta do amanhã à nossa frente
Pois o que nos aguarda é coerente
Com nossas atitudes e memórias
São nossos dias de lutas e glórias

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Vampira

Meus pequenos sonhos da floresta
Enterrados, mas nunca esquecidos
Quase morri, marca na minha testa
Noite em claro, leio textos perdidos

Sou grato a teus preciosos conselhos
Devo-te minha vida por ainda respirar
Alto do castelo, teus lábios vermelhos
Rios de criatividade para te despertar

Poesia dedicada a uma velha amiga
Sempre em meus pensamentos
Ainda guardo meus sentimentos
Trancados e protegidos pela matilha

Minhas palavras nunca serão capazes
De expressar e realizar tudo que sinto
Os mais simples gestos são as raízes
Floresta escura onde bebo vinho tinto

Nada casual, sem luxúria, nem malícia
Paredes derrubadas do muro de Berlim
Sonho do cervo de ferro, refrão carícia
Falando com o vento, sou rei carmesim

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Epitáfio

Quero chorar até meus olhos secarem
Minha janta é temperada com lágrimas
Quero me afogar até o oceano secar
Tudo em que acredito está morrendo

As pessoas não se amam, se odeiam
Meus exemplos mostram meu futuro
Casamento é uma mentira, um inferno
Rimas estão mortas dentro da cabeça

Nossas vidas acabaram em segundos
Os rios de sangue em meus braços
Alagando os meus órgãos moribundos
Memórias da piscina do velho clube

Quando o mundo ainda era normal
E nada me preocupava, puberdade
Hoje os ponteiros batem devagar
Não sinto mais meu corpo pulsar

O silêncio abafa os gritos de socorro
Todos choram mas ninguém se ouve
Neste circo esquecido pelos profetas
Eu temo que amanhã estarei chorando

Confusão será o meu epitáfio
Orquestras e profecias de longa data
Bailes de esqueletos no hall do castelo
Fotografias de tempos onde existia paz