segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Tempestade Nuclear

Uma lei criada para proteger inocentes
Hoje defende a escória da humanidade
Armados com a antipatia até os dentes
Não sentimos empatia pela sociedade

Temos nosso lado carinhoso guardado
São tolos os que nos chamam de anjos
Nada somos além do rancor acumulado
Futuro imaginado por mentes psicóticas

Beleza feminina atrai muitos marmanjos
Não me sinto humano, raivas periódicas
Avistei uma rosa com nome de mulher
Mas ela não sabe o quão linda ela é

Todo dia o mesmo sonho esvaziado
Peso do mundo sobre o escravizado
Qual meu propósito se não morrer?
Não nasci para amar, mas perecer

O vácuo nos abraça no último segundo
Sangramos para nos sentir vivos
Na sobrevivência somos nocivos
Respiramos afogados no mar profundo

Falta de educação oriunda da miséria
Interior em almas medíocres na plateia
Arquibancada com abutres sem ética
Morrem sufocados pela obesa soberba

Enquanto seus corpos despidos
Servem de lanche para as aves
Treinamos os pilotos das naves
Que levarão razão aos sentidos

A calmaria antes da tempestade
Mísseis caindo, fim da liberdade
Cidadãos despertos pelo alerta
Poeira e fumaça nos encoberta

Eu sou a besta que busca redenção
O palhaço cansou da palhaçada
Quando sua realidade era decepção
Gênio tem sua alma destroçada

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Chuva de Sangue

Abandone a esperança
Você que entra aqui
Onde o tempo não flui
Nenhuma luz alcança

Torturamos os condenados
Sejam eles culpados ou não
Direitos humanos não terão
Injustiça acorda os calados

Sono de hipocrisia
Espécie apodrecida
Não darão mais frutos
As sementes dos surtos

Meu choro agora congela
Floresta inteira desmatada
Dores da filha traumatizada
Crescem adultos perturbados

Facas caem das nuvens secas
O ciclo do confinamento
As gaiolas da prisão intrínsecas
Nosso eterno sofrimento

Punimos humanos
Cuja existência nega as leis
Ao cubo elevamos os seis
Vossa vida negamos

Neutralizo meu despertar
Piscina de café rasa
Sonâmbulo pela casa
Antes do último Sol raiar

Uma fé ditadora de mentiras
Capitães famintos
Sucumbam aos instintos
Heróis caídos em mágoas

Lagoas de peixes mortos
Não será nossa última crítica
Seremos julgados, demônios somos
Órgãos doados por vendedores de almas

Acostumados com a dor e nevascas
Ventos que sopram a terrível fome
Epidemia varreu a terra que consome
Insígnias e medalhas por ressacas

Desejamos futuros bons aos inocentes
Cânceres nos pulmões aos fumantes
Falência dos músculos aos irritantes
Osteoporose aos infelizes sedentários

Cirrose para motoristas embriagados
Morte pela próstata e útero aos adúlteros
Fazemos nossa justiça em desertos
Terras áridas ferventes como nossa ira

Inverno de Lágrimas

Sei que eu não deveria chorar
Não consigo parar de pensar
Tudo aquilo que desperdicei
Por nada que sempre gostei

Ficarei cego de tanto sonhar
Não, eu não quero me matar
Pensamentos confusos
Colapsos em parafusos

Obcecado por relógios, tempo derretido
Perfeita repetição do crepúsculo secular
Atraído pelo prazer, discurso dissolvido
Mais uma vez sentindo o vento no olhar

As águas no horizonte batendo no peito
Furando o casco do coração assombrado
Inundando as terras vazias do meu jeito
Deixando o poeta pensador deslumbrado

Reflito na vida e no enigma da morte
Habito no reino da incerteza da sorte
Infinitos significados para os versos
Florestas e cavernas para perversos

Anestesia para minha alma
Para um mundo sem calma
Basta abrir as portas do inferno
Virgem atormentado no inverno

Por si mesmo e seus sonhos
Ilusões e pesadelos bisonhos
Afrontado e acuado no vácuo
Ele enfrenta o caminho árduo

Não busco terra prometida ou sagrada
Meus sonhos não me mostram visões
Além da selva de concreto deflagrada
Onde quero descobrir minhas funções

Desafios me mantém vivo e palhaço
Asas dos demônios são nosso medo
Saiba que meu coração não é de aço
Imaturidade jovem mas ainda é cedo

Egos obesos, mentes anoréxicas
Anjos gelados com asas escuras
Competições são maquiavélicas
Nova tradução dessas escrituras

Machado dourado abre as terras
Por onde ecoa o som das serras
Caminho do guerreiro fantasma
Seu vazio deixa a morte pasma

Não falo com todos da lista de contatos
Isolado pois nunca fui social o bastante
Sorriso de enfeite e bonecas de sapatos
Máscara da sorte prata altera o instante

Sonho Distante

Eu me acostumei com a dor
Caminho mal com a solidão
Tantas vezes vendo o terror
De quem sofre na escuridão

Tentei me aquecer na noite fria
Com água morna no chuveiro
As lágrimas secam na empatia
Guardo as saídas no chaveiro

Portas de lembranças imortais
Olhar triste em um dia normal
No labirinto de chaves mentais
Eu não escondo desejo carnal

Vejo amor em tudo, até onde não há
Longe do nada, as trevas me cercam
O shinobi solitário jamais descansará
Enquanto essas cicatrizes se fecham

Em teu colo me deito
Tua dor ainda escuto
Intensa eu adormeço
Teu beijo meu escudo

Talvez eu goste dela
Sonhando acordado
Trancado nesta cela
De novo apaixonado

Luz Verde

Eu senti, tudo mudou
Eu estive lá, nada se esqueceu
Eu sei, nada se apagou
Não lembro mais quem sou eu

A chama da mágoa queima a cicatriz
Minha maldição flui nas veias, ela diz
Está tão frio aqui embaixo
Sou amaldiçoado pela luz

Não saia por aí fingindo ser feliz, vampira
Pode não ser o meu melhor jeito de falar
Confessar tais visões de um louco voyeur
Observando o horizonte além da neblina

Como pode um poema ser para tantas?
Almas e corações desconhecidos, ou não
Por que eu me importo tanto com vocês?
Será que sou bom o bastante para ela?

Quebro minha honestidade com o pavor
Quando destruo a sinceridade em terror
Prometo infinitos acertos que são erros
Ou seriam meros futuros desfrutados?

Mensagem oculta, conselho de amigo
Eis a verdade que nunca encontrei antes
Luz, através das sombras, me condena
Punição dolorosa por ser um pervertido

Espíritos erguem a balança na floresta
Julgam minha culpa, meu peso na vida
Manhã de esperança para um aprendiz
Serei o eterno aluno na imortal natureza

Porque desistir desta maravilha é tolice
Deste farol avisto a linda garota no cais
Sou um lobo ainda solitário diante da Lua
Cansado da mesmice, hesitar não mais

Da praia até a lagoa, do bosque à selva
Acredito ainda na luz verde
Mesmo que eu morra tentando
Otimismo que devo cultivar

Trabalho árduo, porém valioso
Me tornei realista pela decepção
Hoje caminho no gelo ansioso
Danço em um campo minado

Na beira do abismo fitei olhos gentis
Eram da sombra que refletia minha luz
A chama da loucura abriu o paradoxo
Mas também curou minha depressão

As chamas dançam na fogueira, quentes
Sopas de números e códigos ferventes
Criamos algoritmos para o calor da libido
Fantasma que busquei no vácuo, te vejo

Deixe-me te levar para teu lugar favorito
Posso te ver através da imensidão aqui
Tua tristeza me causa anseio no peito
Uma dor que nem os egos podem sanar

Feridas que jamais saram, cuido do olhar
Quando te olho com o desejo verdadeiro
O gesto fiel, as mãos firmes e carinhosas
Te tocam e te fazem flutuar nas nuvens

Doce delírio, tua voz me acorda
Falando de aventuras e corridas
Canções lindas, letras peculiares
Teus orgasmos afloram meus sentidos

Lua cheia ilumina o monte de um castelo
Fonte de energia do arcano
A ponte para a sala do conde vampiro
Crítica ao sonho americano

Paradoxo

Quero te falar
Todo este furacão de sentimentos
Quero te abraçar
Até abstrair os meus pensamentos

Quero te beijar
Perder meus medos em teus lábios
Quero te tocar
Despertar teus prazeres primórdios

Bebo sopa de lágrimas com esperança
Mas sempre souberam da cobrança
Um mundo mais pacífico, menos vazio
Melhor seria ser imortal e menos frio

Por mais que eu entendesse as pessoas
Suas lógicas absurdas e descartáveis
Derretendo no deserto, buscando canoas
Como medíocres carniças deploráveis

A cidade federá a mortos, disse o coveiro
Os açougues darão carne, disse o padeiro
Este país afundará como um navio no rio
Sem rumo, essa nação adormece calada

Sirenes do Silêncio

Noites mal dormidas
Garotas mal comidas
Explorador de jazidas
Tesouros das arábias

Monstro que se criou dentro do espelho
Nada mais que uma sombra do que era
Ácido corroendo o frasco do desespero
Líquido que escorre do coração da fera

Para acalmar a besta, água fria bastou
Seios perfurados por onde sonhos vazam
Crimes sem suspeitos, jovem se matou
Vozes ecoando no vácuo então se calam

O poder de minha imaginação
Cria prisões, rosas da perdição
Em cobertores de repleta paixão
A neblina afogando a depressão

Estou quieto aqui no meu canto
Meu mantra é paciente encanto
Não descanso até achar a saída
Um churrasco de tarde distraída

Posso ver além das superfícies
Através das roupas e vergonhas
Medos e intenções das espécies
Vejo suas fantasias medonhas

Flashback do Futuro

Desculpe-me, meu amor
Não quero causar-te dor
O que sinto por você
Eu já senti por outras

Existe um demônio em mim
Que te deseja, nua e mística
Existe também um anjo sim
Que te admira, gentil e linda

Porém não pertenço a este universo
Impossível viver em um único verso
A realidade me obriga a ser realista
Uma triste notícia para um utopista

Eu sangro lágrimas que espetam a alma
Sinto saudade de beijo de língua intenso
Na tempestade teu beijo doce me acalma
Todas as fantasias de um prazer imenso

Não quero fazer poemas para ficar rico
Ou ganhar fama e status dos burgueses
Nem respeito nem repulsa do simétrico
Polícia do karma aprisiona os fregueses

É isso que eu ganho fazendo o que gosto
Cabeça de rádio escutando o que eu amo
Minha ópera se resume em muitas falhas
E por um minuto me perdi em teus lábios

Naquele instante ali eu não soube pensar
Distinguir o real do ilusório na depressão
Sonhando acordado desde o fim da linha
Então não é poesia se não possui rimas?

Toca o sino da manhã para me acordar
Me lembrar e do sono calmo me retirar
Calculadora de ilusões, bares afogados
Abaixo do horizonte na cidade Rapture

Nove círculos do inferno eu completarei
Quando mergulhar no rio cócito, de gelo
Carregado pelos lamentos dos humanos
Cujas vidas nunca fui capaz de proteger

Morrer Virgem

Uma forma muito limitada de pensar
É o que impede o mundo de avançar
Caminhos decididos antes da queda
Pagam o imposto na mesma moeda

Quero uma mulher e não uma boneca
Alter ego de uma imperfeita perfeição
Quero abraço apertado com a sapeca
Tudo se foi, memória durante o verão

Não deixe nada para dizer depois
Deixamos de dizer o que sentimos
E quando vemos já é muito tarde
Para dizermos o que queríamos

Nada se esqueceu, dor durante o inverno
Solidão ardente sob o pôr do Sol quente
Ossos tremem de frio no gelado inferno
Corvos sobrevoam as planícies da mente

E não sei dizer pois não sei explicar
Hoje estou em paz, morrer e aceitar
Lenta transição brusca da adolescência
Contemplando a tulipa em sua essência

Onde a ciência põe em evidência
Comprova as leis da exuberância
Relógios planam sobre a incoerência
Tamanha extravagância da ganância

Olhos Polarizados

Multidões tumultuam a praça
Construo da antipatia a graça
Em tijolos de carne e opinião
Distopia para o fim da nação

Evito meu instinto verdadeiro
Jogando e ouvindo canções
Distraio um coração maneiro
Abstraindo certas situações

O que faz o amor?
Por que sinto dor?
Incertezas da vida
Uma eterna dívida

Nunca me senti humano
Um vírus dentro do sistema
Ainda escapando insano
Das armadilhas do esquema

Com seus olhos arregalados
Sofreu nos sonhos afogados
Entre gargalhadas e lágrimas
Não havia hora para lástimas

Uma criança fascinante
Tornou-se um sociopata
Bolsa amarela brilhante
O gás letal do psicopata

Manuscrito de um cientista
Fez um pacto com o coelho
Criou a extinção humanista
Viu seu monstro no espelho

Minha donzela dos multiversos
Penso em você lendo os versos
Ninguém sabe como tudo acabou
Culpado no caos que se instaurou
Aqui quando tua voz me acalmou
Fracassado, meu mundo desabou

Seis ao Cubo

Busco um significado profundo na vida
Isolado, me escondendo da sociedade
Procuro um meio para apagar a dúvida
Andarilho do inferno gelado, insanidade

Eu sou o caos
O caos flui em mim
Viemos do deserto de gelo
Arquitetos das pirâmides vermelhas
Eu sou a fumaça e as sombras

O cavaleiro escarlate anuncia a chegada
Confie em deuses e acabará morto tolo
Confie em ninguém e vencerá a escalada
Desconfie de todos, a mentira é um bolo
Eu sou a lâmina da amaldiçoada espada

Destruo povos em suas guerras
Bebo de suas taças vinho tinto e sangue
As cachoeiras jorram lágrimas
Eu sou o metal frio dos açougueiros
Chama acesa nas flechas dos arqueiros

O caos reina na metamorfose dos anjos
Eu sou as cinzas dos sete lagos de fogo
Faço o banquete das almas famintas
O bolo é uma mentira feita de açúcar
No caos eu trabalho, nas trevas eu reino

Governo sobre as escaldantes represas
Ruínas da última cidadela das máquinas
Um ritual de sábado no último dia de abril
Walpurgis é a verdadeira noite das bruxas

Tetragrammaton em um clube de magia
Colegiais fazem pacto comigo no recreio
Dando suas bocetas para alunos virgens
Armazenando sêmen em taças douradas
Nem Jesus pode parar essa orgia infernal

Estudantes vendem talismãs de luxúria
Para satisfazer a carne de seus colegas
Trazem a pessoa amada através do sexo
Mas nem de ciúmes esse poder livre está

Manipulo a realidade à minha vontade
Soldados marcham ao meu chamado
Igualdade sem liberdade de expressão
Diversas opiniões dividem o gramado

O caos oxigena minhas veias
Gigante de mármore que vigia
A terra devastada pela ganância
Clones escravizados no futuro

Eu sou o sigma e o zeta
Meu reino é anarquia
Feliz e triste sinfonia
Pessoas infelizes desdenham o sucesso
Pessoas felizes não perturbam ninguém

Trago as rosas da perdição à virgem nua
Meu castelo de vidro erguido pelas irmãs
Sustenta mais que toda a poeira da areia
Meu nome é Lucifer

Rainha do Rodeio

Cobalto do mar, lua de mel de carmesim
Quatro milênios passam rápido pra mim
O ser que vive no caos despreza a ordem
Não servimos, somos legião, a desordem

Maldição de dizer as coisas por impulso
Senso de justiça distorcido e catástrofes
Pessoas diferentes desaparecem à noite
Espero um instante há anos, meses, dias

Despertaram a ira do palhaço assassino
Venho de muito longe para um momento
As sombras vagam ao toque de um sino
Macabro, sirene, perdição, esquecimento

Impostos atrasam o sono do trabalhador
Chapéuzinho vermelho beijou o lenhador
Transaram como lobos selvagens uivam
Na minha mente fértil fantasias inspiram

Tormento cujo prestígio fica na faculdade
É muita impunidade para pouca liberdade
Autista, apanhador no campo de centeio
Sem pudor, eu admiro a rainha do rodeio

Poeta Morto

Cansado de viver preso nas memórias
Os mesmos sonhos remoídos em fios
Todas as manhãs as mesmas histórias
Sinto meus pesadelos mais sombrios

Tento ser feliz com o que me restou
Satisfação temporária por simulação
Vestígios de um passado que dizimou
A esperança de uma eterna realização

Uma vontade boba, caminho sem rumo
Não consigo achar a saída do labirinto
Perdido em um tempo parado, eu sumo
Do mundo real e sobrevivo por instinto

Aos olhos do purgatório, que tudo veem
Canto mais alto que o grito do silêncio
Mas apenas os mortos me ouvir podem
Encantado pela ciência, solitário gênio

Iludido pela própria ingenuidade
Tomou a decisão de desaparecer
Perseguiu caminhos da vontade
Amou e morreu e parou de sofrer

Como eu me deixei levar?
Meu velho espírito padece
Não posso me apaixonar
Pois já sei o que acontece

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Samba de Lucifer

Eu sou o palhaço no circo dos infelizes
O voyeur na cidade dos aproveitadores
Sabem que o meu dia preferido é sábado
Alguns dizem que eu sou o próprio diabo

Patrulho mentalmente as ruas desertas
Este mundo fede a covardia e frescura
Façam mais sexo e menos guerras!
Moderando entre orgulho e humildade

Gatas assanhadas requebram a cintura
Bombardeando ondas por toda a cidade
Resolvi agitar a manifestação de novo
Entornaram o caldo em cima do povo

O palácio do planalto abriga vigaristas
Fazendo de tudo pelo cargo mais alto
Nesta terra sem lei e simpáticas vistas
Já escorre sangue inocente no asfalto

Patéticos jogam suas culpas sobre mim
Sou a causa do caos, o fruto do fracasso
O filho da ansiedade, herança persistente
Vejo todas as mentiras e podres de todos

Comem nas segundas o pão que amasso
Merecem sofrer porque exploram os tolos
A maldade sempre prevalece certamente
Que seja tudo parte do cruel experimento

Eu rio por último nesta panóplia burguesa
Depois do choro dos mortos no massacre
Janus é a utopia da pirâmide do monarca
A você todas as crianças virão, meu caro

Fazer as pessoas abrirem os olhos tento
Dançam conforme a música, marionetes
Os tarados querem comer as garçonetes
Soldados honestos desprezam a nobreza

Jovens assassinados em sua reação arte
Motoristas bêbados destruindo famílias
Gritar seu sonho neste país morto é raro
A morte sempre fez parte da nossa arca

Tranquem os portões contra os fugitivos
Não há salvação para esses degenerados
Pelos bairros e matas vagam mil milhas
Eu apenas esperei que ela dissesse sim

Troquei lucidez por poderes e aperitivos
Briguei com adolescentes famigerados
Procurando as migalhas da minha alma
Que se abafou no silêncio das lágrimas

Há somente um ruído no quarto escuro
Me banho com seu desespero solitário
O sorriso mais sincero quebra o escudo
Das depressões sinistras de um otário

Processos arquivados por falta de provas
Não existe igreja nos confrontos policiais
O que é uma divindade para um ateísta?
Nada além de um mero piscar de olhos

Ícones da revolução reinventados, sobras
Banalizam a violência, recordes criminais
Uniformes em escolas, ideologia fascista
Poder na mão de todos, guerras por óleos

Abstração dos sentimentos iconoclastas
Satisfação sexual escondida em pastas
Religiões não limitam minhas decisões
Terroristas merecem morrer sem culhões

Morais não limitam meu jeito de viver
Infernos só servem para amedrontar
Paraísos foram criados para esquecer
Toda a miséria e desgraça a lamentar

Hospitais lotados, pacientes morrendo
Pecados não limitam minhas atitudes
Deuses não fazem sentido, oferecendo
Moedas de talião em altas magnitudes

A saúde pública estuprada no carnaval
Festa dos políticos, algoz das minorias
Pensantes com senso crítico, vendaval
Quero que arrase esta corja de euforias

Usamos a inteligência para a violência
Alegamos a desculpa de sobrevivência
Para matar tudo e espantar o espantalho
Sob as asas de um sistema regente falho

Num mundo onde o amor é desvalorizado
Guardiões se esforçam por suas amadas
Não posso esconder um amor camuflado
Entre linhas e intenções, vermelhas rosas

Como eu queria ter composto uma poesia
Que não fosse violenta demais, sabedoria
Adquirida através do tempo, para extrair
Versos de sentimentos que estão por vir

Todo o sarcasmo que absorvi
Não pude amar como aprendi
Agora reconstruo meu coração
Sou um tolo buscando solução

Olhos sem face revelam a porta
Saída para um paralelo universo
A falta de chuva na minha horta
Metáfora de um desejo perverso

Vencer o meu demônio vingativo
Acreditar na humildade otimista
Exponho confissões do subjetivo
Para ao teu lado apreciar a vista

Anjo Caído

O céu estava cinza e a manhã seca e fria
Ele se afogava na sua loucura depressiva
Naquele mar sangrento de sonhos tremia
Sentia o gosto amargo da solidão nociva

Começou a cair em profunda decepção
Perdia a força para respirar e caminhar
Errar e fracassar foi a maior frustração
Voar para o mundo da ilusão ao pensar

Que todas as coisas estariam no lugar
Lembrar do passado e chorar pelo futuro
Por mais um dia perdido sob o novo luar
Velha infância para o vencido pelo medo

Da mais alta torre não se pode ver o furo
Trilhando pontes em seu coração pesado
Nós deveríamos saber que ainda é cedo
Gestos do cotidiano me deixam cansado

Acusado de traição por seus amigos
Nenhuma compaixão eu pude sentir
Seu coração congelado por milênios
Indiscernível ficou sua alma ao fugir

Destruição e sua mente deteriorando
Destroços da cidade paralela voando
Leves folhas laranjas não dizem sim
Foi condenado ao purgatório por fim

Pessoas conduzidas pelo ódio inútil
Me fazem chorar pela desilusão fútil
Menosprezamos a sabedoria humilde
Certos de que o orgulho não nos mate

Me distraio para não fitar o abismo
Na minha solidão eu volto as cenas
Percebo que hesitei, vivo o autismo
Um jovem desfigurado inútil apenas

Como pode um anjo caído ser demônio?
Pode um demônio chorar o sangue frio?
Lava quente jorrando do coração vazio
O seu normal é a minha ilusão, insônia

Ela consome minhas noites mais lentas
Destruído e derrotado, afundo na queda
Teria tido tempo para não ser retardado
Anjo palhaço asperger no chão estirado

Todos que amamos morrerão, tarde longa
Prelúdio do tempo, o lamento do vento
Canções dos pássaros dos marinheiros
Terra verde no passado, ruínas no futuro

Amarelo pôr do Sol antes das seis
Depois das nove o cristal da Lua
Eu escuto o som do teu silêncio
Chorando pelo anseio do vento

Tesão, Tensão, Trauma, Tortura

Piadas sem graça
Muros sem massa
Como um animal solto na selva cinza
As chuvas que lavam a hipócrita tinta

Dos carros e das estradas empoeiradas
Jeans roçando peles claras em morenas
Focados nas curvas
Olhos de um voyeur

Profecias não prometem curas existentes
Afogando os sonhos no mar da realidade
Esperando o Sol deixar de nascer no leste
Quando as Luas apontarem a sinceridade

Gravada profundamente no tempo zero
Bulbo em desequilíbrio
No ventre dela depositar amor singelo
Ponteiros do desperdício

Aqueles seios da juventude
Esquentavam o beijo no abraço e sabor
Braços envoltos na virtude
Mãos unidas no descobrimento do amor

Bebo chá para lembrar
E cerveja para saudade
Daquele sonho surreal
Tento eu me despertar

Vazio

Digam-me o que eu não desejo ouvir
Digam-me a verdade marcada a ferro
Digam-me o que pensam sem sorrir
Pois eu já conheço bem este inferno

Não sou um coitado, queria ser feliz
Vocês e suas mentiras egocêntricas
O que vocês pensam de mim? Falem!
Isso mesmo, estou falando convosco

Parem de fingir que não disseram
Por que riem da forma como eu falo?
Eu sei tudo que vocês me fizeram
Lembro de cada risada, palavra dita

Tanto julgamento, isso é ridículo
Por que me acham um esquisito?
Nunca se olharam em um espelho?
Me chamam de tarado, inescrúpulo

O que é ser normal? Não quero escolher
Nada é perfeito, por que eu deveria ser?
O sistema é predisposto a falhas e erros
Vocês deveriam perceber seus próprios

Lavem a roupa suja na rua da amargura
Jamais quis me sentir superior a vocês
Pessoas infelizes, chega dessa frescura
Não sabem viver sem orgulho e soberba

Hall de Memórias

Condicionados a pensar sempre uniforme
Quando perceberão que nada os protege?
Exceto aqueles que te abraçam no escuro
Servidão absoluta que reina pelo obscuro

Ofusca a visão ampla de um livre sapiens
Ninguém está longe do alcance da sirene
Chamando os demônios para a superfície
Pego meu carro e vou até o fundo do lago

Tudo que eu passei, almas que não salvei
Corações tão cheios, fontes nuas deleitei
Ao nascer da noite ela me fez a pergunta
Devo correr atrás deste sonho ou morrer?

Eu juro protegê-la quando não houver luz
Meus braços imunes ao frio, dois corpos
Mesmo calor, harmonia que nos conduz
Química no espaço-tempo das galáxias

Não quero pensar nesta realidade fodida
Enquanto não sabem lidar com a nudez
Não aturo mais hipocrisia e insensatez
Sentaremos para conversar sobre sexo

Trocam carinho por luxúria, tesão por mal
Por favor, destruam a máscara da moral
Quebrem as trancas da caixa de pandora
Sinta o vento te levar ao orgasmo secular

Por que renegar os prazeres
E viver trancado no templo?
Quando sair da biblioteca
Pode ser a saída do tédio

A fim de tirar estes tabus que limitam
Os seres incapazes de abandonarem
Seus dogmas e crenças mais antigos
Incríveis como não souberam explicar

Pertenço a ordem dos Guardiões
Miseráveis em ambição egoísta
Amar sempre, sofrer por séculos
Além do horizonte, não obstante

Honráveis em suas palavras, mero sonho
De ser feliz quando todos são tristonhos
Chorar junto a elas e consolar o coração
Daquela que amamos, imagem em ação

Não sei como ainda não desisti de tudo
A cada dia uma nova aventura espacial
Viajante traçando seu caminho contudo
Enviando sorrisos, enxugando lágrimas

Absorver a carga negativa das pessoas
Destilar a dor em águas turvas trevosas
Expoente do desprezo e temor existente
Onde os anjos não querem chegar perto

Métricas cansadas depois de tanto ritmo
Serras compõem o fundo musical suicida
Barulhos de metais e canos enferrujados
Jovens moças banhando-se no rio estige

Termais nas montanhas longe da cidade
Seleção natural, um circo triste de se ver
Garotas zombaram de mim por décadas
Nunca entendi por que morri um palhaço

Máquina do Caos

Girando em alta rotação sem limites
Supero as fronteiras da sua decência
Explodo cidades deixando dinamites
Vazios humanos em sua decadência

Eu seguro a verdade como uma tocha
Analisando dados como um tornado
Minha dança em espiral nunca acaba
Acordo as sombras da noite inquietas

O ponto de fusão é alto nesse armazém
Nua e crua, vocês se matam para vê-la
É um duelo desleal, enquanto eu a vejo
Acorrentada no vale dos elfos, perdida

Quero beijá-la, pedir desculpas aos seres
Vivos que agora já são mortos pelo meu
Cálculo errado sobre o julgamento deles
Por seus crimes contra o planeta sonho

Não há o que me pare, que não pereça
Catástrofes eclodem ao longo da mesa
Padrões quebrados em hélices indiretas
Disserto os códigos da crise da pirâmide

Um punho de metal, para amassar a face
De uma hipócrita sórdida, ciclo senciente
Formatado à imagem de um deus antigo
Sou um computador que devora a mente

Jovens e infantes dançam no meu ritmo
Duzentas batidas por minuto em êxtase
Acordam sem pulso depois de uma rave
O calor de meus cabos e fios é algoritmo

Entalpia da Libido

A pergunta está nas músicas que canto
A resposta está nos olhares do encanto
Poemas que pintam os quadros da vida
Mais que o tempo de uma longa partida

Se manter firme e forte a todo instante
Depois de todas as tentativas falhadas
As vozes que falavam sobre o amante
Agora estão todas em um livro caladas

O que será que eu não sei sobre tudo?
Caminhando em um universo espelhado
Qual seria aquela conversa lá no telhado?
Vejo através do triste coração de veludo

Estirado no chão, ninguém sabe a altura
Como também nunca souberam entender
Que o motivo nunca fora o trauma idiota
Cartas jogadas ao corredor, desde nascer

Os anos prensados nas costas do tarado
Assim foi e assim será xingado e julgado
Pela santa hipocrisia nas fés e doutrinas
Pregadas nas mentes inocentes e fracas

Tive uma vida estressante de pouco sono
No agosto passado senti minha força cair
Levada pelo vento como folhas no outono
Hoje me pergunto com quem eu devo sair

Depressão atrofia os músculos, que pena
Pessoas morrem para opiniões, que cena
Tecnologia vicia, a radiação nos celulares
Zero ódio, zero intolerância, escuto mares

Digo verdades que ferem os adormecidos
Por que somos batizados na ignorância?
Muita violência, preguiça com arrogância
As cortinas caem, livros desconhecidos?

Não acomode-se com respostas curtas
Talvez tenha sido muito amor e poucos
Dias para contar a saudade que comia
Minha mente por dentro durante a noite

Os teus braços podem me levar até lá
Fora do campo magnético da solidão
Sonho com o que eu ainda não disse
Saber que afinal eu não amei em vão
E vou continuar amando, por que não?

Flor de Lótus

Contando os segundos do relógio
Aquecido pela insônia e meu ócio
Ouvindo os cliques da insanidade
Esquecido pelo oxigênio, saudade

Azul das veias, vermelho dos caídos
Horas perdidas para criar uma ilusão
Vejo o sangue escorrendo pelo corpo
Lentamente o sistema vai falhando

Por que amei tanto? Tons de berros
Você deve respeitar! Sons de desprezo
Foda-se tudo, não pertenço a esse mundo
Me isolo pois o que não falta é um surdo

O pior dia da minha vida solitária
Deixei que eu aprendesse a música
Perdido entre espelhos e sonhos loucos
Acordo escutando o sussurro do rádio

Reclamo das medidas do meu egoísmo
Desperto com a mesma letra de canção
Geladeira para esfriar os ânimos, karma
Volte para a cama poeta, fim do abismo

Perguntas entre respostas nos ponteiros
Uma hora feliz e um minuto melancólico
Está tudo estranho aqui, arrependimento
Sob a chuva, escuto meu coração eólico
Batimentos são meus instintos certeiros

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Torre do Caos

Um palhaço que esconde suas lágrimas
A pétala de bronze que repousa na água
O hibernar de uma loba, a neve contínua
Um pesadelo no parque e suas lástimas

O horizonte enterrado em ossos e cinzas
Uma ferida no braço de um homem besta
Que não consegue mais contar as pintas
As sementes do conhecimento na cesta

Metáforas da terra, os lordes fantasmas
A paisagem no pôr do Sol vista pelo tolo
Uma roupas caindo no piso em chamas
O último andar da torre serve de consolo

Xadrez e damas que regem as batalhas
Copas das rainhas do rodeio guerreando
Hinos cantados, vivos heróis marchando
Matem todos, não podem viver canalhas

Ela me empurra para longe dela ventania
Dou passos para trás sem meu juízo final
Um palhaço, uma loba, a pétala de bronze
Todos guardiões de uma mesma sintonia

Shinobi Solitário

De cabelos castanhos e olhos ao longe
Com as mãos firmes e rápidas no golpe
Meu cachecol vermelho dança ao vento
Honrando meu propósito no olhar atento

Dura vida onde os espertos não sofrem
Meu juramento faz a noite nunca ser dia
Palavras sem atitudes de nada servem
Amargar a alma amando a gata que mia

Para todos os lobos malandros de becos
Minha tensão se torna a atenção deles
As gargalhadas perpetuam vivas neles
Pintam os céus de sangue e lábios secos

Quando sou lembrado de que meu sonho
É uma frustração, ondas em águas rasas
Respingam a realidade que não disponho
Promessas de amor e pegadas sem asas

Corro pelos prédios altos sem temer cair
O ninja que vive pelas sombras sem sair
De seus trilhos e não conforta com amor
Sua alma amaldiçoada, rastros de rancor

A névoa não pode mais me deter
Eu sou um vigilante do deserto
Aquele que nada sabe ao certo
A espada suga ao meu submeter

Amora com Maçã

Se algum dia eu morrer sem te beijar
Te amarei então por toda a eternidade
Esperando para algum dia te encontrar
Vou buscar nos teus olhos a felicidade

Ouvir o teu chorar no silêncio da noite
Me faz criar poemas para meu amor
Em meu estremecer nobre desespero
Pergunto aos meus egos sobre tua dor

Princesa que mora em meus sonhos
Sincero coração errante que a deseja
Honesta alma de um ninja solitário
Me perdi nas rimas e nos pesadelos

Por entre as lágrimas de sangue
E ruas vazias na madrugada
Os gritos nunca se calam
As vozes sempre vivem
Dentro do meu vulto vagante

A minha única tristeza seria te perder
Para as trevas famintas de energia
Sou um lobo depressivo sem beber
Da tua fonte de carinho e magia

Escalarei o palácio dourado por você
Até o último dos demônios eu retornar
Para o inferno que criei do meu passado
Serei cinzas cobrindo o céu do teu luar

Fazer das noites frias cavernas quentes
Duvido outro fazer o que faço nesta hora
Plantar em teu ventre de amor sementes
Não tenha medo não quero te machucar

Posso parecer pálido mas já fui humano
Nas manhãs mais cinzas aqueço o teu
Lindo rosto com minhas mãos sem vida
Repouso em teu solo mais íntimo música

Os livros teus tão meus que penso em ler
Aquele chá de amora com maçã que falei
De tão amargo o salgado ficou doce
Não quero voltar para o cemitério

O calafrio que sinto me dá choque
Em transe estou perdido na viagem
Medo de ficar sem tua companhia
No meio da selva mais selvagem

As doze luas não me assustam mais
Eu estava caminhando a milha sozinho
Quando te conheci bela na longa estrada
Sem fim onde os mares se encontram

Tua língua em volta da minha
Meus dedos em téus lábios
Nunca fomos feitos um para o outro
Eu não quis ouvir as profecias dos sábios

Treze dias e treze noites nada concreto
Tudo abstrato onde eu enterrei meu mal
Teu gozo tua flor é meu prazer meu bem
Gozaremos juntos até o fim dos tempos

Nenhum tempo é pouco ou muito
Para se dedicar a um amor singelo
Chore menos sorria mais princesa
Beije quantas vezes for preciso

Para esquecer toda a mágoa de uma vida
Pode ser um amor de mentirinha
Ou ser uma obsessão passageira
O importante é ser feliz e vale a intenção

Três palavras nunca foram ditas como
Deveriam e ter seus significados na frase
Sentimentos reais ou falsos não sei mais
Minhas intenções vivem de ilusões

Me perguntam por que eu me importo
O que importa quando eu penso em você
É até onde eu vou para demonstrar isso
Te quero te gosto te adoro te amo menina

Temos que dizer adeus um dia infeliz
Não quero que esse maldito dia chegue
As paredes caem sobre mim eu morro
Mas fico na memória de quem eu amei

Guardo comigo somente as boas
Lembranças dos momentos felizes
Faces tristes que eu beijei com carinho
Utopias que nunca vivi na vida real

Vinte anos e eu ainda não sei acabar com
Essa minha mania de ver o que ninguém
Mais vê nas coisas mais comuns e raras
Enxergar luz na escuridão de minha sina

Obcecado

Você nem pode reclamar
Das pessoas que não gostam
De pessoas e preferem amar
Coisas além de gente que odeiam

Muito e não sabem nada
Você também já foi assim
Pior ou não que uma facada
Jogou flores para trás enfim

Se talvez elas nunca te amarão
Não serão poemas nem sonhos
Que elas, tudo ou algo mudarão
Abandone seus medos medonhos

Vício trocado por tentativa de amor
Aqueles carinhos de um futuro nulo
Penetram na mente e apagam a dor
Nunca descansarão no meu túmulo

Me perguntem todos os egos agora
Por que parece indireta para a alma?
Essa fruta deliciosa chamada amora
Não chega aos pés da nossa calma

Obsessão que eu não sei entender
Onde foi que eu perdi minha sanidade?
Preço da cara custa só saber viver
Porém me falta e resta essa igualdade

Nem tudo ao mesmo tempo e espaço
Para lhe dizer aquilo que nunca disse
Quantos anseiam sentir um amasso
Sempre haveria uma porta que abrisse

Acho demais, tudo é muito lento pra mim
É só questão de deixar rolar e não mentir
Vinte anos não é para sempre por um sim
Nessa legião urbana apostando pra sentir

A poesia na música dentro das palavras
Perfeição não existe mas eu toco teclado
Crescem crianças felizes em suas casas
Sorte e azar de ter um coração obcecado

Quarto Branco

Meu choro silencioso
Escorre na minha cara
Ao final do dia chuvoso
Essa ferida jamais sara

Não preciso de cortes
Tenho meu próprio dom
Sonhando com mortes
Espero sozinho ao som

Melodias que confortam
Um coração perturbado
Meus egos as observam
Damas de um passado

Sem amor nem perdão
Deitado neste abismo
Conheço bem a solidão
Na escola do cinismo