Abandone a esperança
Você que entra aqui
Onde o tempo não flui
Nenhuma luz alcança
Torturamos os condenados
Sejam eles culpados ou não
Direitos humanos não terão
Injustiça acorda os calados
Sono de hipocrisia
Espécie apodrecida
Não darão mais frutos
As sementes dos surtos
Meu choro agora congela
Floresta inteira desmatada
Dores da filha traumatizada
Crescem adultos perturbados
Facas caem das nuvens secas
O ciclo do confinamento
As gaiolas da prisão intrínsecas
Nosso eterno sofrimento
Punimos humanos
Cuja existência nega as leis
Ao cubo elevamos os seis
Vossa vida negamos
Neutralizo meu despertar
Piscina de café rasa
Sonâmbulo pela casa
Antes do último Sol raiar
Uma fé ditadora de mentiras
Capitães famintos
Sucumbam aos instintos
Heróis caídos em mágoas
Lagoas de peixes mortos
Não será nossa última crítica
Seremos julgados, demônios somos
Órgãos doados por vendedores de almas
Acostumados com a dor e nevascas
Ventos que sopram a terrível fome
Epidemia varreu a terra que consome
Insígnias e medalhas por ressacas
Desejamos futuros bons aos inocentes
Cânceres nos pulmões aos fumantes
Falência dos músculos aos irritantes
Osteoporose aos infelizes sedentários
Cirrose para motoristas embriagados
Morte pela próstata e útero aos adúlteros
Fazemos nossa justiça em desertos
Terras áridas ferventes como nossa ira
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