sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Chuva de Sangue

Abandone a esperança
Você que entra aqui
Onde o tempo não flui
Nenhuma luz alcança

Torturamos os condenados
Sejam eles culpados ou não
Direitos humanos não terão
Injustiça acorda os calados

Sono de hipocrisia
Espécie apodrecida
Não darão mais frutos
As sementes dos surtos

Meu choro agora congela
Floresta inteira desmatada
Dores da filha traumatizada
Crescem adultos perturbados

Facas caem das nuvens secas
O ciclo do confinamento
As gaiolas da prisão intrínsecas
Nosso eterno sofrimento

Punimos humanos
Cuja existência nega as leis
Ao cubo elevamos os seis
Vossa vida negamos

Neutralizo meu despertar
Piscina de café rasa
Sonâmbulo pela casa
Antes do último Sol raiar

Uma fé ditadora de mentiras
Capitães famintos
Sucumbam aos instintos
Heróis caídos em mágoas

Lagoas de peixes mortos
Não será nossa última crítica
Seremos julgados, demônios somos
Órgãos doados por vendedores de almas

Acostumados com a dor e nevascas
Ventos que sopram a terrível fome
Epidemia varreu a terra que consome
Insígnias e medalhas por ressacas

Desejamos futuros bons aos inocentes
Cânceres nos pulmões aos fumantes
Falência dos músculos aos irritantes
Osteoporose aos infelizes sedentários

Cirrose para motoristas embriagados
Morte pela próstata e útero aos adúlteros
Fazemos nossa justiça em desertos
Terras áridas ferventes como nossa ira

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