O céu estava cinza e a manhã seca e fria
Ele se afogava na sua loucura depressiva
Naquele mar sangrento de sonhos tremia
Sentia o gosto amargo da solidão nociva
Começou a cair em profunda decepção
Perdia a força para respirar e caminhar
Errar e fracassar foi a maior frustração
Voar para o mundo da ilusão ao pensar
Que todas as coisas estariam no lugar
Lembrar do passado e chorar pelo futuro
Por mais um dia perdido sob o novo luar
Velha infância para o vencido pelo medo
Da mais alta torre não se pode ver o furo
Trilhando pontes em seu coração pesado
Nós deveríamos saber que ainda é cedo
Gestos do cotidiano me deixam cansado
Acusado de traição por seus amigos
Nenhuma compaixão eu pude sentir
Seu coração congelado por milênios
Indiscernível ficou sua alma ao fugir
Destruição e sua mente deteriorando
Destroços da cidade paralela voando
Leves folhas laranjas não dizem sim
Foi condenado ao purgatório por fim
Pessoas conduzidas pelo ódio inútil
Me fazem chorar pela desilusão fútil
Menosprezamos a sabedoria humilde
Certos de que o orgulho não nos mate
Me distraio para não fitar o abismo
Na minha solidão eu volto as cenas
Percebo que hesitei, vivo o autismo
Um jovem desfigurado inútil apenas
Como pode um anjo caído ser demônio?
Pode um demônio chorar o sangue frio?
Lava quente jorrando do coração vazio
O seu normal é a minha ilusão, insônia
Ela consome minhas noites mais lentas
Destruído e derrotado, afundo na queda
Teria tido tempo para não ser retardado
Anjo palhaço asperger no chão estirado
Todos que amamos morrerão, tarde longa
Prelúdio do tempo, o lamento do vento
Canções dos pássaros dos marinheiros
Terra verde no passado, ruínas no futuro
Amarelo pôr do Sol antes das seis
Depois das nove o cristal da Lua
Eu escuto o som do teu silêncio
Chorando pelo anseio do vento
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