Eu sou o palhaço no circo dos infelizes
O voyeur na cidade dos aproveitadores
Sabem que o meu dia preferido é sábado
Alguns dizem que eu sou o próprio diabo
Patrulho mentalmente as ruas desertas
Este mundo fede a covardia e frescura
Façam mais sexo e menos guerras!
Moderando entre orgulho e humildade
Gatas assanhadas requebram a cintura
Bombardeando ondas por toda a cidade
Resolvi agitar a manifestação de novo
Entornaram o caldo em cima do povo
O palácio do planalto abriga vigaristas
Fazendo de tudo pelo cargo mais alto
Nesta terra sem lei e simpáticas vistas
Já escorre sangue inocente no asfalto
Patéticos jogam suas culpas sobre mim
Sou a causa do caos, o fruto do fracasso
O filho da ansiedade, herança persistente
Vejo todas as mentiras e podres de todos
Comem nas segundas o pão que amasso
Merecem sofrer porque exploram os tolos
A maldade sempre prevalece certamente
Que seja tudo parte do cruel experimento
Eu rio por último nesta panóplia burguesa
Depois do choro dos mortos no massacre
Janus é a utopia da pirâmide do monarca
A você todas as crianças virão, meu caro
Fazer as pessoas abrirem os olhos tento
Dançam conforme a música, marionetes
Os tarados querem comer as garçonetes
Soldados honestos desprezam a nobreza
Jovens assassinados em sua reação arte
Motoristas bêbados destruindo famílias
Gritar seu sonho neste país morto é raro
A morte sempre fez parte da nossa arca
Tranquem os portões contra os fugitivos
Não há salvação para esses degenerados
Pelos bairros e matas vagam mil milhas
Eu apenas esperei que ela dissesse sim
Troquei lucidez por poderes e aperitivos
Briguei com adolescentes famigerados
Procurando as migalhas da minha alma
Que se abafou no silêncio das lágrimas
Há somente um ruído no quarto escuro
Me banho com seu desespero solitário
O sorriso mais sincero quebra o escudo
Das depressões sinistras de um otário
Processos arquivados por falta de provas
Não existe igreja nos confrontos policiais
O que é uma divindade para um ateísta?
Nada além de um mero piscar de olhos
Ícones da revolução reinventados, sobras
Banalizam a violência, recordes criminais
Uniformes em escolas, ideologia fascista
Poder na mão de todos, guerras por óleos
Abstração dos sentimentos iconoclastas
Satisfação sexual escondida em pastas
Religiões não limitam minhas decisões
Terroristas merecem morrer sem culhões
Morais não limitam meu jeito de viver
Infernos só servem para amedrontar
Paraísos foram criados para esquecer
Toda a miséria e desgraça a lamentar
Hospitais lotados, pacientes morrendo
Pecados não limitam minhas atitudes
Deuses não fazem sentido, oferecendo
Moedas de talião em altas magnitudes
A saúde pública estuprada no carnaval
Festa dos políticos, algoz das minorias
Pensantes com senso crítico, vendaval
Quero que arrase esta corja de euforias
Usamos a inteligência para a violência
Alegamos a desculpa de sobrevivência
Para matar tudo e espantar o espantalho
Sob as asas de um sistema regente falho
Num mundo onde o amor é desvalorizado
Guardiões se esforçam por suas amadas
Não posso esconder um amor camuflado
Entre linhas e intenções, vermelhas rosas
Como eu queria ter composto uma poesia
Que não fosse violenta demais, sabedoria
Adquirida através do tempo, para extrair
Versos de sentimentos que estão por vir
Todo o sarcasmo que absorvi
Não pude amar como aprendi
Agora reconstruo meu coração
Sou um tolo buscando solução
Olhos sem face revelam a porta
Saída para um paralelo universo
A falta de chuva na minha horta
Metáfora de um desejo perverso
Vencer o meu demônio vingativo
Acreditar na humildade otimista
Exponho confissões do subjetivo
Para ao teu lado apreciar a vista