sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Coragem da Matilha

Na minha terra sangue vale ouro
Almas são diamantes na janela
Minotauros empurram o tesouro
Cadáveres em ruínas da capela

Na minha terra lágrimas cortam metais
Vacas são donas de comércios sexuais
Serpentes engolem os que não pagam
Fadas bebem o leite que as alimentam

Na minha terra sereias são piranhas
Banquetes de piratas e usurpadores
Acorrentados nas teias das aranhas
Última refeição para conquistadores

Carniceiros matam pelo trono de ferro
Espadas cravadas nas casas de nobres
Reinados perduram até o último berro
Melodias de fogo e gelo para os pobres

Estandartes de ferro cobrem nossa torre
Para civis, soldados e membros da corte
Vigilância além dos planetas até o escuro
Titãs, lobos e bruxos são o nosso escudo

Livros de maestria arcana na biblioteca
Patrulhas em corridas da moça sapeca
Entregador acorda no centro da cratera
Dia das máquinas marca uma nova era

sábado, 17 de dezembro de 2016

Anomia

Minhas lágrimas rasgam o meu rosto
Acho que fomos sinceros demais, irmão
Solidão será nossa sina, o meu posto
Voltar no tempo será minha inquietação

Eu a fiz rir mas foi apenas um sonho tolo
Palhaço das almas solitárias, um consolo
Um meteoro para destruir este planeta
Nosso futuro na ponta de uma caneta

Há sociopatas vivendo entre nós, jovem
Não se esqueça disso, não lhes convém
Nada dura neste mundo todo superficial
Hipocrisia reina na sociedade intelectual

As pessoas trocam os seus parceiros
Como trocam suas roupas diariamente
Metrópoles destruídas por arruaceiros
Preliminares onde ela goza loucamente

Tento esquecer aqueles dias de ilusão
Pago os pedágios da vida em confusão
Os melhores momentos são lembrados
Como dias sem fim, prazeres apagados

Nesta cidade eu sou um robô senciente
Trafego as memórias do subconsciente
Caveiras e pentagramas agitam a rave
Boates de luzes e chuva de som grave

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Floresta da Perdição

Preciso me aposentar e partir
Eu só quero um lugar para descansar
Tempo parado para eu refletir
Um espaço infinito para poder chorar

Estou velho demais para isso
Deveria parar de pensar nisso
O meu tempo neste mundo acabou
Nenhuma delas realmente me amou

Respiro só para passar o tempo
Sonambulei por todos esses anos
Agora não posso reparar os danos
Prazer reprimido pela depressão

Viajando por desertos e florestas
Busco uma forma de sabotar a realidade
Maestro das mágicas orquestras
Existe uma maneira de curar a saudade?

Inúmeros caminhos até o conhecimento
Mas os preguiçosos odeiam pensamento
Diante das escolhas eles se vitimizam
Falam de privilégios e nem trabalham

Eu tiro os meus óculos e vejo tudo claro
O céu pintado com estrelas da rebeldia
Minha vida passa em repetição doentia
Quem diria que eu tenho um sonho raro?