Mãos frias em meus ombros
A morte deseja me perturbar
Futuro acaba em escombros
Dama na cama, poeta de bar
Livros empoeirados na sua estante
Ela o leva para o seu escuro quarto
Feitiço proibido do desejo ofegante
Se amam na luxúria do banho farto
Desperdiço minha juventude
Leve como as folhas de outono
Alegre nas asas da plenitude
Me entrego ao deserto do sono
Teu mel em minha boca
Meu néctar na tua flor
Sofro essa paixão louca
Anestesia, amor e dor
Palavras ecoam no horizonte
Terremotos espaciais unem espíritos
Separam amazonas da fonte
Olhares casados aos desejos íntimos
Rodovias de cidades são manchadas
Estradas em ruínas e céus vermelhos
Caminhões trazem minas exploradas
Jogadora nua penteia seus pentelhos