quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Nudez com Vinho

Mãos frias em meus ombros
A morte deseja me perturbar
Futuro acaba em escombros
Dama na cama, poeta de bar

Livros empoeirados na sua estante
Ela o leva para o seu escuro quarto
Feitiço proibido do desejo ofegante
Se amam na luxúria do banho farto

Desperdiço minha juventude
Leve como as folhas de outono
Alegre nas asas da plenitude
Me entrego ao deserto do sono

Teu mel em minha boca
Meu néctar na tua flor
Sofro essa paixão louca
Anestesia, amor e dor

Palavras ecoam no horizonte
Terremotos espaciais unem espíritos
Separam amazonas da fonte
Olhares casados aos desejos íntimos

Rodovias de cidades são manchadas
Estradas em ruínas e céus vermelhos
Caminhões trazem minas exploradas
Jogadora nua penteia seus pentelhos

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