Desculpe-me, meu amor
Não quero causar-te dor
O que sinto por você
Eu já senti por outras
Existe um demônio em mim
Que te deseja, nua e mística
Existe também um anjo sim
Que te admira, gentil e linda
Porém não pertenço a este universo
Impossível viver em um único verso
A realidade me obriga a ser realista
Uma triste notícia para um utopista
Eu sangro lágrimas que espetam a alma
Sinto saudade de beijo de língua intenso
Na tempestade teu beijo doce me acalma
Todas as fantasias de um prazer imenso
Não quero fazer poemas para ficar rico
Ou ganhar fama e status dos burgueses
Nem respeito nem repulsa do simétrico
Polícia do karma aprisiona os fregueses
É isso que eu ganho fazendo o que gosto
Cabeça de rádio escutando o que eu amo
Minha ópera se resume em muitas falhas
E por um minuto me perdi em teus lábios
Naquele instante ali eu não soube pensar
Distinguir o real do ilusório na depressão
Sonhando acordado desde o fim da linha
Então não é poesia se não possui rimas?
Toca o sino da manhã para me acordar
Me lembrar e do sono calmo me retirar
Calculadora de ilusões, bares afogados
Abaixo do horizonte na cidade Rapture
Nove círculos do inferno eu completarei
Quando mergulhar no rio cócito, de gelo
Carregado pelos lamentos dos humanos
Cujas vidas nunca fui capaz de proteger
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