sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Olhos Polarizados

Multidões tumultuam a praça
Construo da antipatia a graça
Em tijolos de carne e opinião
Distopia para o fim da nação

Evito meu instinto verdadeiro
Jogando e ouvindo canções
Distraio um coração maneiro
Abstraindo certas situações

O que faz o amor?
Por que sinto dor?
Incertezas da vida
Uma eterna dívida

Nunca me senti humano
Um vírus dentro do sistema
Ainda escapando insano
Das armadilhas do esquema

Com seus olhos arregalados
Sofreu nos sonhos afogados
Entre gargalhadas e lágrimas
Não havia hora para lástimas

Uma criança fascinante
Tornou-se um sociopata
Bolsa amarela brilhante
O gás letal do psicopata

Manuscrito de um cientista
Fez um pacto com o coelho
Criou a extinção humanista
Viu seu monstro no espelho

Minha donzela dos multiversos
Penso em você lendo os versos
Ninguém sabe como tudo acabou
Culpado no caos que se instaurou
Aqui quando tua voz me acalmou
Fracassado, meu mundo desabou

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