sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Inverno de Lágrimas

Sei que eu não deveria chorar
Não consigo parar de pensar
Tudo aquilo que desperdicei
Por nada que sempre gostei

Ficarei cego de tanto sonhar
Não, eu não quero me matar
Pensamentos confusos
Colapsos em parafusos

Obcecado por relógios, tempo derretido
Perfeita repetição do crepúsculo secular
Atraído pelo prazer, discurso dissolvido
Mais uma vez sentindo o vento no olhar

As águas no horizonte batendo no peito
Furando o casco do coração assombrado
Inundando as terras vazias do meu jeito
Deixando o poeta pensador deslumbrado

Reflito na vida e no enigma da morte
Habito no reino da incerteza da sorte
Infinitos significados para os versos
Florestas e cavernas para perversos

Anestesia para minha alma
Para um mundo sem calma
Basta abrir as portas do inferno
Virgem atormentado no inverno

Por si mesmo e seus sonhos
Ilusões e pesadelos bisonhos
Afrontado e acuado no vácuo
Ele enfrenta o caminho árduo

Não busco terra prometida ou sagrada
Meus sonhos não me mostram visões
Além da selva de concreto deflagrada
Onde quero descobrir minhas funções

Desafios me mantém vivo e palhaço
Asas dos demônios são nosso medo
Saiba que meu coração não é de aço
Imaturidade jovem mas ainda é cedo

Egos obesos, mentes anoréxicas
Anjos gelados com asas escuras
Competições são maquiavélicas
Nova tradução dessas escrituras

Machado dourado abre as terras
Por onde ecoa o som das serras
Caminho do guerreiro fantasma
Seu vazio deixa a morte pasma

Não falo com todos da lista de contatos
Isolado pois nunca fui social o bastante
Sorriso de enfeite e bonecas de sapatos
Máscara da sorte prata altera o instante

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