quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Epitáfio

Quero chorar até meus olhos secarem
Minha janta é temperada com lágrimas
Quero me afogar até o oceano secar
Tudo em que acredito está morrendo

As pessoas não se amam, se odeiam
Meus exemplos mostram meu futuro
Casamento é uma mentira, um inferno
Rimas estão mortas dentro da cabeça

Nossas vidas acabaram em segundos
Os rios de sangue em meus braços
Alagando os meus órgãos moribundos
Memórias da piscina do velho clube

Quando o mundo ainda era normal
E nada me preocupava, puberdade
Hoje os ponteiros batem devagar
Não sinto mais meu corpo pulsar

O silêncio abafa os gritos de socorro
Todos choram mas ninguém se ouve
Neste circo esquecido pelos profetas
Eu temo que amanhã estarei chorando

Confusão será o meu epitáfio
Orquestras e profecias de longa data
Bailes de esqueletos no hall do castelo
Fotografias de tempos onde existia paz

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Última Cruzada

Tento esquecer tudo que sempre digo
Quando acordo pela manhã
Correntes me arrastam para o abismo
Sonho de amora com maçã

Não posso fugir do tempo que me cerca
Não posso fugir dos meus eus passados
Não posso encontrar a única porta certa
Não posso enterrar os desejos apagados

Em nome da liberdade sexual de poucos
Censuram o direito e caluniam os outros
Ditam como todos devem pensar e viver
Para não ofender seus devaneios do ser

Fiquei calado estudando o que dizem
Acusam os outros do que eles fazem
Nosso futuro está nas mãos de tolos
Prevemos o caos que mata os bobos

Durante meu curto tempo de rebeldia
Minha utopia não me mostrou a verdade
Hoje as máscaras caem na hipocrisia
Querem destruir toda a moral e realidade

Não terei medo da esquizofrenia social
Não terei medo de jovens contraditórios
Não terei piedade do pseudointelectual
Não terei piedade dos lobos predatórios

Idiotas úteis e as leis que não funcionam
Sangue de inocentes mancham as folhas
Papéis e madeiras derrubadas em vão
Assassinos invasores catam as migalhas

Ceifam as vidas de fazendeiros na terra
Explorados pelo governo que defendem
Pedem morte à burguesia na guilhotina
Os mesmos doentes que os alimentam

Sindicatos pagam analfabetos funcionais
Mais um vândalo mascarado na covardia
Ônibus lotados com formigas ambientais
Revolução cultural resultou em balbúrdia

Tiraram nossas armas
Perverteram nossas crianças
Estupraram nossas mulheres
Corromperam nossos valores morais

Discursos de paz e amor contra armas
Discursos de ódio e sexo pelas crianças
Discursos de vitimismo e relativismo
Discursos desconexos com seus atos

Um povo à mercê de doentes mentais
Esperando um milagre divino os salvar
Vendo absurdos como coisas normais
Tiranos, drogados e pedófilos a dançar

Democratas que admiram ditadores
Matam a si mesmo e seus comparsas
Iludem seus sonhadores seguidores
Seus impérios feitos de terror e farsas

Virando ídolos para os desinformados
Não há nada mais ridículo neste lixão
Moscas que assaltam os desarmados
Sem noção alguma de moral no eixão

Impõem suas vontades sobre a natureza
Artistas globais perecem sob a impureza
Escravos incapazes de quebrar o silêncio
Filósofos advogam genocídio e vilipêndio

Psicopatia e comodismo acima das leis
Valores invertidos e sociedades mortas
Dissimulados manipulam negros e gays
Crucifixam a inteligência com as cotas

Ignoram o talento e potencial dos pobres
Abortistas infanticidas pagam de nobres
Falsas heroínas do terrorismo de gênero
Exceção vira regra pelo fim do mamífero

Políticos comunistas agindo na surdina
Mudam e vetam leis como ilusionistas
Jogam milênios de sabedoria na latrina
São vagabundos jacobinos positivistas

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Longa Descida

Hoje eu não dormi menos que ontem
Criei ilusões através dos cacos de vidro
Do espelho que reflete os que sobem
Escadas em espiral do sonho quebrado

Sonhei que ela me guiava até o tal lugar
Me fazia vestir uma máscara para entrar
Pesava mais que meu corpo, muita dor
Contraste das roupas azuis, sinto calor

Uma escola em festa, ritmo de euforia
Tempo fora da realidade fria e apática
Garota desenhista vive com sabedoria
Acordo cedo na tarde monocromática

Memórias se misturam naquele quarto
Frases na parede, sinto um leve infarto
Esses sonhos são tormentos para mim
Torturas que me deixaram louco assim

Na parede cinza minha sombra escreve
As verdades que ninguém nunca disse
Durante milhas da estrada ele descreve
Como seria o beijo antes que provasse

Longo inverno na ponte entre os céus
Noite de eclipse lunar levanta os véus
Sonho com o que nunca conquistarei
Afogado no sangue tinto descansarei

domingo, 10 de setembro de 2017

Tetragrammaton

Meus sonhos residem em teus olhares
Dia maravilhoso te ter em meus braços
Navio de cristal segue pelos sete mares
Vinhas entrelaçam amores abençoados

Anjos e demônios voam em minha volta
Soprar da juventude, uma pétala se solta
Na torre da vanguarda a luz se regenera
Vemos um amanhecer de uma nova era

Uma janela para o desconhecido
O mesmo sonho outra vez
Refletindo enquanto adormecido
Despida nos lençóis talvez

Teus lábios são meu porto seguro
Rosa de carne me devorando duro
Sinapses nas pontes do entender
Fazemos amor até o Sol renascer

Lugar morno só encontro distante
Razões para viver, enfrento o mundo
Para estar contigo a todo instante
Contra a maré, mergulho bem fundo

Ilha do nunca onde a praia tem corais
Vou para lá e volto carregando litorais
De água doce e dois anéis feitos de areia
Presentes para você, minha rainha sereia

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Nudez com Vinho

Mãos frias em meus ombros
A morte deseja me perturbar
Futuro acaba em escombros
Dama na cama, poeta de bar

Livros empoeirados na sua estante
Ela o leva para o seu escuro quarto
Feitiço proibido do desejo ofegante
Se amam na luxúria do banho farto

Desperdiço minha juventude
Leve como as folhas de outono
Alegre nas asas da plenitude
Me entrego ao deserto do sono

Teu mel em minha boca
Meu néctar na tua flor
Sofro essa paixão louca
Anestesia, amor e dor

Palavras ecoam no horizonte
Terremotos espaciais unem espíritos
Separam amazonas da fonte
Olhares casados aos desejos íntimos

Rodovias de cidades são manchadas
Estradas em ruínas e céus vermelhos
Caminhões trazem minas exploradas
Jogadora nua penteia seus pentelhos

domingo, 16 de abril de 2017

Gargantua

Teu sorriso é a luz que ilumina meus dias
Droga do amor entorpece nossas almas
Viajando na psicodelia em suas melodias
Descubro universos entre sons e formas

As gotas de chuva lavam minha cara
Se misturando com minhas lágrimas
Me sinto uma fera perdida no Sahara
Preso ao passado na chuva de rimas

Quando estou com você, o tempo para
Teus abraços, lugar morno me aquece
Sinto uma paz quando você me encara
Minha lei é o teu prazer, não adormece

Tive um sonho que mudou minha vida
Uma anja desenhava planos coloridos
Horizontes revelavam a grande subida
Seus olhos estrelavam céus despidos

À tarde me recordo das nuvens cinzas
Que circulam meu entardecer bucólico
Sons rasgam meu quarto como tintas
Vozes descascam o mundo encefálico

Renuncio minha felicidade para amar
Imploro para que fique mas a deixo ir
Quarta dimensão, o lugar para chorar
Estamos indo para um lugar de sorrir

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Coragem da Matilha

Na minha terra sangue vale ouro
Almas são diamantes na janela
Minotauros empurram o tesouro
Cadáveres em ruínas da capela

Na minha terra lágrimas cortam metais
Vacas são donas de comércios sexuais
Serpentes engolem os que não pagam
Fadas bebem o leite que as alimentam

Na minha terra sereias são piranhas
Banquetes de piratas e usurpadores
Acorrentados nas teias das aranhas
Última refeição para conquistadores

Carniceiros matam pelo trono de ferro
Espadas cravadas nas casas de nobres
Reinados perduram até o último berro
Melodias de fogo e gelo para os pobres

Estandartes de ferro cobrem nossa torre
Para civis, soldados e membros da corte
Vigilância além dos planetas até o escuro
Titãs, lobos e bruxos são o nosso escudo

Livros de maestria arcana na biblioteca
Patrulhas em corridas da moça sapeca
Entregador acorda no centro da cratera
Dia das máquinas marca uma nova era

sábado, 17 de dezembro de 2016

Anomia

Minhas lágrimas rasgam o meu rosto
Acho que fomos sinceros demais, irmão
Solidão será nossa sina, o meu posto
Voltar no tempo será minha inquietação

Eu a fiz rir mas foi apenas um sonho tolo
Palhaço das almas solitárias, um consolo
Um meteoro para destruir este planeta
Nosso futuro na ponta de uma caneta

Há sociopatas vivendo entre nós, jovem
Não se esqueça disso, não lhes convém
Nada dura neste mundo todo superficial
Hipocrisia reina na sociedade intelectual

As pessoas trocam os seus parceiros
Como trocam suas roupas diariamente
Metrópoles destruídas por arruaceiros
Preliminares onde ela goza loucamente

Tento esquecer aqueles dias de ilusão
Pago os pedágios da vida em confusão
Os melhores momentos são lembrados
Como dias sem fim, prazeres apagados

Nesta cidade eu sou um robô senciente
Trafego as memórias do subconsciente
Caveiras e pentagramas agitam a rave
Boates de luzes e chuva de som grave

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Floresta da Perdição

Preciso me aposentar e partir
Eu só quero um lugar para descansar
Tempo parado para eu refletir
Um espaço infinito para poder chorar

Estou velho demais para isso
Deveria parar de pensar nisso
O meu tempo neste mundo acabou
Nenhuma delas realmente me amou

Respiro só para passar o tempo
Sonambulei por todos esses anos
Agora não posso reparar os danos
Prazer reprimido pela depressão

Viajando por desertos e florestas
Busco uma forma de sabotar a realidade
Maestro das mágicas orquestras
Existe uma maneira de curar a saudade?

Inúmeros caminhos até o conhecimento
Mas os preguiçosos odeiam pensamento
Diante das escolhas eles se vitimizam
Falam de privilégios e nem trabalham

Eu tiro os meus óculos e vejo tudo claro
O céu pintado com estrelas da rebeldia
Minha vida passa em repetição doentia
Quem diria que eu tenho um sonho raro?

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Vingador Destemido

Chego em casa um pouco mais tarde
Ao ver tudo quebrado meu rosto arde
Viciados mataram minha esposa e filha
Mafiosos controlam a cidade nessa ilha

Avisa a fita amarela que isola a cena
Cuidado, homem sem nada a perder
Nada vai acabar com a dor de sofrer
Bebidas e fotos antigas, é uma pena

Com analgésicos minha dor não morre
Os fogos do inferno não param as balas
Fazer com que a pele do corrupto torre
Bandidos e cartuchos entopem as valas

Eu não sei sobre os anjos, mas é o medo
Que dá asas aos homens, acordam cedo
Dormem tarde para garantir seu almoço
O piano toca a melancolia deste colosso

Ex-policial, fugitivo em busca de vingança
Drogas sempre destruíram famílias
Traficantes vagam no vácuo milhas
Sinto de todos hoje uma tal desconfiança

Uma história cujo tormento não tem fim
Ressacas matinais, tiroteios sangrentos
Passado gravado para sempre em mim
Meu nome é Max Payne